Espiritualidade.
Uma palavra que guarda vários significados... uma experiência que parte de
inúmeros pontos de vista.
A nossa
vida, repleta de rotinas, lutas diárias, desejos e sonhos, por vezes
assemelha-se a um conjunto de aspectos e problemas reunidos, aos quais devemos
dar atenção e solucionar com parcimônia. É como se estivéssimos fixados em uma
taboa suspensa sobre um pico, e nós, os malabaristas, nos esforçássemos
herculeamente parar sustentar um tênue equilíbrio.
Esse
prisma empírico e objetivo da vida parte de uma observação superficial,
distanciada. É um olhar de fora para as coisas que vivemos dentro.
O fato
é que a vida é muito mais complexa, porque é experimentada no íntimo, de onde
lançamos nosso olhar para tudo o que nos cerca.
Tudo
possui um significado, tudo suscita em nós uma resposta emocional, e, ainda, as
nossas emoções promovem atitudes e mudanças. Construímos o significado das
coisas a partir de nosso universo próprio.
E o que
isso tem a ver com espiritualidade? Tudo.
Espiritualidade
é a relação que travamos com o nosso universo interior, que nos conecta a algo que
nos é superior. É uma fonte única de significados, porque através dela expandimos
a visão sobre as coisas e sobre nós mesmos.
Sem
essa relação conosco e com o divino, a vida emoldura-se na superficialidade...
tudo o que fazemos, buscamos e sentimos não vai além do que os sentidos físicos
podem proporcionar.
O
trabalho, a família, os amigos, as atividades prazerosas... todos esses
contextos parecem ser apenas aspectos externos da vida, dos quais, agastadamente,
precisamos dar conta.
E
assim, trabalhamos para ter dinheiro, para poder ter conforto ou luxo e
proporcioná-lo à família. As amizades se restrigem a momentos de euforia, ou se
limitam a tampar o insistente buraco da solidão. O casamento é acordo social,
prestação de contas à sociedade, ou ainda mero fruto de interesses. As
atividades de nossa vida visam nos acrescentar status, fama ou inócuo deleite.
Com
espiritualidade, muda-se o foco. A família é a nossa estrutura, a base de
nossas relações e, ainda, o esteio que nos protege e nos fortalece. O trabalho
é fonte de alegria, pois nos proporciona o prazer de sermos úteis ao outro,
sendo, então, o dinheiro consequência natural de nosso esforço. Os amigos são
irmãos que escolhemos para partilhar momentos bons e ruins, companheiros ao
lado dos quais estamos não apenas nos instantes de fugaz felicidade, mas sobretudo na visita
da dor. O casamento é união de vidas, fulcrada no amor e no desejo de fazer o
outro feliz. E tudo o que fazemos possui um propósito de nos enriquecer os
sentimentos, o intelecto, ou de contribuir para o bem do mundo ou das pessoas
que nos cercam.
A
espiritualidade é uma busca que empreendemos ao longo de toda a existência, é uma
escolha fundamental, que perpassa o seguinte questionamento: nos limitaremos a encarar
a vida como apenas o que parece ser, ou vislumbraremo-na além dessa restrita
percepção, para ganhar horizontes intangíveis e profundos?