Neste vasto mundo, a vida é tão rica de
possibilidades que somos impelidos naturalmente a desfrutar exaustivamente da
existência. Para agravar, a sociedade capitalista nos incute a todo momento a
idéia de que as nossas necessidades são amplas, quase infinitas, cabendo-nos
lutar indiscriminadamente pela riqueza material, a fim de usufruirmos de quase
tudo.
Ocorre, porém, que na contramão dessa mosaico de
possibilidades existem inevitáveis contornos. Somos seres demasiadamente
limitados, e a nossa liberdade é apenas circunscrita. Sobrepujar os limites,
invariavelmente, gera um câncer, seja na alma, no próprio corpo, ou no
meio-ambiente e na sociedade. Essa é a inteligência das leis da natureza: nada
pode ser imortal, imutável ou invencível, e, dessa forma, a vida se renova e se
perpetua.
Com o homem não é diferente. Os excessos da
alimentação e dos vícios causam prejuízos à saúde, corroendo o bem-estar e a
longevidade. Até mesmo a manifestação explosiva das emoções aflige o corpo e a
mente, sem mencionar os desajustes sociais, como comprova a ciência.
Muito se fala, nos tempos atuais, em uso responsável
dos recursos ambientais, de modo a se desenvolver sustentavelmente o planeta,
sem matá-lo. Conquanto o discurso seja amplo e necessário, não se pode esquecer
que cada indivíduo é um mundo próprio, um microcosmo, um ser dotado de
necessidades e, consequentemente, limites.
Nesse sentido, a moderação de nossas necessidades e
atitudes, naturalmente, repercutirá em nosso mundo. O respeito ao próximo, seu
patrimônio (material e moral), suas idéias, convicções, religião, assim como ao
patrimônio social, cultural e ambiental do planeta nada mais é do que a
adequação de nós próprios aos nossos limites.
O egoísmo cria a ilusão de que somos senhores do
planeta e das pessoas, quando nada somos além de uma pequena célula do
organismo social, nem por isso menos importante que as demais. A vontade humana - sob o império
do egoísmo –, por vezes, ultrapassa os limites do razoável, do humano,
alimentando desejos inconstantes e maléficos, para si ou para o outro. E, o
coração acostumado ao desperdício e ao deslimite, age sob o império dos
impulsos, culminando na autodestruição ou na flagelação alheia ou mesmo dos
recursos do Planeta.
A aceitação dos limites é matéria imprescindível para
a construção da felicidade, em todos os sentidos. Se fôssemos feitos para gozar
do mundo ou da vida infindamente, não conheceríamos a doença e a desunião, a
carência e a injustiça, a dor e a morte.
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