25 agosto 2012

Ensaio para a harmonia





O crescimento surge do embate, a dor nos desenvolve os sentimentos.

Decerto, não nos comprazemos em sofrer ou com o desentendimento; os conflitos afligem pugentemente o coração, e ninguém, em sã consciência, deseja uma vida repleta deles. Mas, não fossem as quedas e machucados da infância, as agruras da adolescência, ou o peso dos deveres na fase adulta, e ainda não teríamos a devida noção de perigo em diversas situações e das consequencias de nossos atos. Tudo pareceria correto e bom, e uma inocência pueril governaria nossas iniciativas e escolhas.


O mesmo se aplica aos relacionamentos interpessoais. Com o tempo vivenciamos experiências que nos ensinam a melhor conviver com os outros, seja no âmbito da família, das amizades ou afetos.


Quantas vezes fomos feridos na primeira idade por amigos que nos trataram infantilmente, e tantas outras extrapolamos os limites do bom senso, sofrendo as consequencias! E quem dirá que o primeiro esboço de namoro foi perfeito e maduro? Apenas com o tempo e ao sabor de experiências dolorosas aprendemos a defender nosso coração da irresponsabilidade alheia, bem assim a respeitar e considerar os sentimentos dos outros.


Nascemos imaturos para a vida, frágeis para a empreitada da existência; todavia, os freios impostos pelas experiências boas ou negativas nos ensinam os rumos certos e os caminhos atalhosos. O que é acerto tende a se repetir; os erros reclamam mudança de atitude, e o carro da vida, que nunca pára, pede passagem para um sem número de novas oportunidades de aprendizado.


Inobstante, é bom que aproveitemos os ensejos para o crescimento... do contrário, permaceremos titubeando nas mesmas questões, escorregando nos problemas de sempre, ou sofrendo eternamente as dores da imaturidade emocional.


Que fique claro: nenhuma pessoa cresce individualmente em meio ao marasmo de uma existência sem desafios; nenhuma amizade se expande sem o desgaste da distância ou das diferenças; nenhum relacionamento se aperfeiçoa na constância de passividade – no lugar de uma paz construída. É como o ensaio para uma bela música: é preciso quebrar o silêncio e repetir mil vezes as notas erradas, até que se expresse, algum dia, uma verdadeira obra prima.

Um comentário:

  1. Legal, bedido!
    Sua escrita é fluida!!
    Também fiz um, mas com textos antigos, tentando voltar a escrever:

    http://aascensao.blogspot.com.br/

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