25 fevereiro 2012

Espiritualidade e Vida


Espiritualidade. Uma palavra que guarda vários significados... uma experiência que parte de inúmeros pontos de vista.
A nossa vida, repleta de rotinas, lutas diárias, desejos e sonhos, por vezes assemelha-se a um conjunto de aspectos e problemas reunidos, aos quais devemos dar atenção e solucionar com parcimônia. É como se estivéssimos fixados em uma taboa suspensa sobre um pico, e nós, os malabaristas, nos esforçássemos herculeamente parar sustentar um tênue equilíbrio.
Esse prisma empírico e objetivo da vida parte de uma observação superficial, distanciada. É um olhar de fora para as coisas que vivemos dentro.
O fato é que a vida é muito mais complexa, porque é experimentada no íntimo, de onde lançamos nosso olhar para tudo o que nos cerca.
Tudo possui um significado, tudo suscita em nós uma resposta emocional, e, ainda, as nossas emoções promovem atitudes e mudanças. Construímos o significado das coisas a partir de nosso universo próprio.
E o que isso tem a ver com espiritualidade? Tudo.
Espiritualidade é a relação que travamos com o nosso universo interior, que nos conecta a algo que nos é superior. É uma fonte única de significados, porque através dela expandimos a visão sobre as coisas e sobre nós mesmos.
Sem essa relação conosco e com o divino, a vida emoldura-se na superficialidade... tudo o que fazemos, buscamos e sentimos não vai além do que os sentidos físicos podem proporcionar.
O trabalho, a família, os amigos, as atividades prazerosas... todos esses contextos parecem ser apenas aspectos externos da vida, dos quais, agastadamente, precisamos dar conta.
E assim, trabalhamos para ter dinheiro, para poder ter conforto ou luxo e proporcioná-lo à família. As amizades se restrigem a momentos de euforia, ou se limitam a tampar o insistente buraco da solidão. O casamento é acordo social, prestação de contas à sociedade, ou ainda mero fruto de interesses. As atividades de nossa vida visam nos acrescentar status, fama ou inócuo deleite.
Com espiritualidade, muda-se o foco. A família é a nossa estrutura, a base de nossas relações e, ainda, o esteio que nos protege e nos fortalece. O trabalho é fonte de alegria, pois nos proporciona o prazer de sermos úteis ao outro, sendo, então, o dinheiro consequência natural de nosso esforço. Os amigos são irmãos que escolhemos para partilhar momentos bons e ruins, companheiros ao lado dos quais estamos não apenas nos instantes de fugaz felicidade, mas sobretudo na visita da dor. O casamento é união de vidas, fulcrada no amor e no desejo de fazer o outro feliz. E tudo o que fazemos possui um propósito de nos enriquecer os sentimentos, o intelecto, ou de contribuir para o bem do mundo ou das pessoas que nos cercam.
A espiritualidade é uma busca que empreendemos ao longo de toda a existência, é uma escolha fundamental, que perpassa o seguinte questionamento: nos limitaremos a encarar a vida como apenas o que parece ser, ou vislumbraremo-na além dessa restrita percepção, para ganhar horizontes intangíveis e profundos?

3 comentários:

  1. Isso aí sim é a filosofia como entendia Sócrates né Marco!? Percepção aprofundada pelo conhecimento de si mesmo ou, em suas palavras, Espiritualidade! Muito bom! Muito obrigado!

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  2. Bacana demais, Marcão! Esse foco é essencial para nossas vidas...

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