O crescimento surge do embate, a dor nos desenvolve os
sentimentos.
Decerto, não nos comprazemos em sofrer ou com o
desentendimento; os conflitos afligem pugentemente o coração, e ninguém, em sã
consciência, deseja uma vida repleta deles. Mas, não fossem as quedas e
machucados da infância, as agruras da adolescência, ou o peso dos deveres na
fase adulta, e ainda não teríamos a devida noção de perigo em diversas situações e
das consequencias de nossos atos. Tudo pareceria correto e bom, e uma inocência
pueril governaria nossas iniciativas e escolhas.
O mesmo se aplica aos relacionamentos interpessoais.
Com o tempo vivenciamos experiências que nos ensinam a melhor conviver com os
outros, seja no âmbito da família, das amizades ou afetos.
Quantas vezes fomos feridos na primeira idade por
amigos que nos trataram infantilmente, e tantas outras extrapolamos os limites
do bom senso, sofrendo as consequencias! E quem dirá que o primeiro esboço de
namoro foi perfeito e maduro? Apenas com o tempo e ao sabor de experiências
dolorosas aprendemos a defender nosso coração da irresponsabilidade alheia, bem
assim a respeitar e considerar os sentimentos dos outros.
Nascemos imaturos para a vida, frágeis para a
empreitada da existência; todavia, os freios impostos pelas experiências boas ou
negativas nos ensinam os rumos certos e os caminhos atalhosos. O que é acerto
tende a se repetir; os erros reclamam mudança de atitude, e o carro da vida,
que nunca pára, pede passagem para um sem número de novas oportunidades de
aprendizado.
Inobstante, é bom que aproveitemos os ensejos para o crescimento... do contrário, permaceremos titubeando nas mesmas
questões, escorregando nos problemas de sempre, ou sofrendo eternamente as
dores da imaturidade emocional.
Que fique claro: nenhuma pessoa cresce individualmente
em meio ao marasmo de uma existência sem desafios; nenhuma amizade se expande
sem o desgaste da distância ou das diferenças; nenhum relacionamento se
aperfeiçoa na constância de passividade – no lugar de uma paz construída. É
como o ensaio para uma bela música: é preciso quebrar o silêncio e repetir mil
vezes as notas erradas, até que se expresse, algum dia, uma verdadeira obra
prima.

Legal, bedido!
ResponderExcluirSua escrita é fluida!!
Também fiz um, mas com textos antigos, tentando voltar a escrever:
http://aascensao.blogspot.com.br/