04 julho 2012

Limites


               Neste vasto mundo, a vida é tão rica de possibilidades que somos impelidos naturalmente a desfrutar exaustivamente da existência. Para agravar, a sociedade capitalista nos incute a todo momento a idéia de que as nossas necessidades são amplas, quase infinitas, cabendo-nos lutar indiscriminadamente pela riqueza material, a fim de usufruirmos de quase tudo.

Ocorre, porém, que na contramão dessa mosaico de possibilidades existem inevitáveis contornos. Somos seres demasiadamente limitados, e a nossa liberdade é apenas circunscrita. Sobrepujar os limites, invariavelmente, gera um câncer, seja na alma, no próprio corpo, ou no meio-ambiente e na sociedade. Essa é a inteligência das leis da natureza: nada pode ser imortal, imutável ou invencível, e, dessa forma, a vida se renova e se perpetua.

Com o homem não é diferente. Os excessos da alimentação e dos vícios causam prejuízos à saúde, corroendo o bem-estar e a longevidade. Até mesmo a manifestação explosiva das emoções aflige o corpo e a mente, sem mencionar os desajustes sociais, como comprova a ciência.

Muito se fala, nos tempos atuais, em uso responsável dos recursos ambientais, de modo a se desenvolver sustentavelmente o planeta, sem matá-lo. Conquanto o discurso seja amplo e necessário, não se pode esquecer que cada indivíduo é um mundo próprio, um microcosmo, um ser dotado de necessidades e, consequentemente, limites.

Nesse sentido, a moderação de nossas necessidades e atitudes, naturalmente, repercutirá em nosso mundo. O respeito ao próximo, seu patrimônio (material e moral), suas idéias, convicções, religião, assim como ao patrimônio social, cultural e ambiental do planeta nada mais é do que a adequação de nós próprios aos nossos limites.

O egoísmo cria a ilusão de que somos senhores do planeta e das pessoas, quando nada somos além de uma pequena célula do organismo social, nem por isso menos importante que as demais.  A vontade humana - sob o império do egoísmo –, por vezes, ultrapassa os limites do razoável, do humano, alimentando desejos inconstantes e maléficos, para si ou para o outro. E, o coração acostumado ao desperdício e ao deslimite, age sob o império dos impulsos, culminando na autodestruição ou na flagelação alheia ou mesmo dos recursos do Planeta.

A aceitação dos limites é matéria imprescindível para a construção da felicidade, em todos os sentidos. Se fôssemos feitos para gozar do mundo ou da vida infindamente, não conheceríamos a doença e a desunião, a carência e a injustiça, a dor e a morte.