25 agosto 2012

Ensaio para a harmonia





O crescimento surge do embate, a dor nos desenvolve os sentimentos.

Decerto, não nos comprazemos em sofrer ou com o desentendimento; os conflitos afligem pugentemente o coração, e ninguém, em sã consciência, deseja uma vida repleta deles. Mas, não fossem as quedas e machucados da infância, as agruras da adolescência, ou o peso dos deveres na fase adulta, e ainda não teríamos a devida noção de perigo em diversas situações e das consequencias de nossos atos. Tudo pareceria correto e bom, e uma inocência pueril governaria nossas iniciativas e escolhas.


O mesmo se aplica aos relacionamentos interpessoais. Com o tempo vivenciamos experiências que nos ensinam a melhor conviver com os outros, seja no âmbito da família, das amizades ou afetos.


Quantas vezes fomos feridos na primeira idade por amigos que nos trataram infantilmente, e tantas outras extrapolamos os limites do bom senso, sofrendo as consequencias! E quem dirá que o primeiro esboço de namoro foi perfeito e maduro? Apenas com o tempo e ao sabor de experiências dolorosas aprendemos a defender nosso coração da irresponsabilidade alheia, bem assim a respeitar e considerar os sentimentos dos outros.


Nascemos imaturos para a vida, frágeis para a empreitada da existência; todavia, os freios impostos pelas experiências boas ou negativas nos ensinam os rumos certos e os caminhos atalhosos. O que é acerto tende a se repetir; os erros reclamam mudança de atitude, e o carro da vida, que nunca pára, pede passagem para um sem número de novas oportunidades de aprendizado.


Inobstante, é bom que aproveitemos os ensejos para o crescimento... do contrário, permaceremos titubeando nas mesmas questões, escorregando nos problemas de sempre, ou sofrendo eternamente as dores da imaturidade emocional.


Que fique claro: nenhuma pessoa cresce individualmente em meio ao marasmo de uma existência sem desafios; nenhuma amizade se expande sem o desgaste da distância ou das diferenças; nenhum relacionamento se aperfeiçoa na constância de passividade – no lugar de uma paz construída. É como o ensaio para uma bela música: é preciso quebrar o silêncio e repetir mil vezes as notas erradas, até que se expresse, algum dia, uma verdadeira obra prima.

04 julho 2012

Limites


               Neste vasto mundo, a vida é tão rica de possibilidades que somos impelidos naturalmente a desfrutar exaustivamente da existência. Para agravar, a sociedade capitalista nos incute a todo momento a idéia de que as nossas necessidades são amplas, quase infinitas, cabendo-nos lutar indiscriminadamente pela riqueza material, a fim de usufruirmos de quase tudo.

Ocorre, porém, que na contramão dessa mosaico de possibilidades existem inevitáveis contornos. Somos seres demasiadamente limitados, e a nossa liberdade é apenas circunscrita. Sobrepujar os limites, invariavelmente, gera um câncer, seja na alma, no próprio corpo, ou no meio-ambiente e na sociedade. Essa é a inteligência das leis da natureza: nada pode ser imortal, imutável ou invencível, e, dessa forma, a vida se renova e se perpetua.

Com o homem não é diferente. Os excessos da alimentação e dos vícios causam prejuízos à saúde, corroendo o bem-estar e a longevidade. Até mesmo a manifestação explosiva das emoções aflige o corpo e a mente, sem mencionar os desajustes sociais, como comprova a ciência.

Muito se fala, nos tempos atuais, em uso responsável dos recursos ambientais, de modo a se desenvolver sustentavelmente o planeta, sem matá-lo. Conquanto o discurso seja amplo e necessário, não se pode esquecer que cada indivíduo é um mundo próprio, um microcosmo, um ser dotado de necessidades e, consequentemente, limites.

Nesse sentido, a moderação de nossas necessidades e atitudes, naturalmente, repercutirá em nosso mundo. O respeito ao próximo, seu patrimônio (material e moral), suas idéias, convicções, religião, assim como ao patrimônio social, cultural e ambiental do planeta nada mais é do que a adequação de nós próprios aos nossos limites.

O egoísmo cria a ilusão de que somos senhores do planeta e das pessoas, quando nada somos além de uma pequena célula do organismo social, nem por isso menos importante que as demais.  A vontade humana - sob o império do egoísmo –, por vezes, ultrapassa os limites do razoável, do humano, alimentando desejos inconstantes e maléficos, para si ou para o outro. E, o coração acostumado ao desperdício e ao deslimite, age sob o império dos impulsos, culminando na autodestruição ou na flagelação alheia ou mesmo dos recursos do Planeta.

A aceitação dos limites é matéria imprescindível para a construção da felicidade, em todos os sentidos. Se fôssemos feitos para gozar do mundo ou da vida infindamente, não conheceríamos a doença e a desunião, a carência e a injustiça, a dor e a morte.
              

20 abril 2012

O desprestígio do Poder Judiciário





         


          Com grande assombro, li hoje sobre a troca de farpas do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, com o ex-presidente da Corte, ministro César Peluso.

          Embora não seja incomum discussões acaloradas nas sessões do Tribunal ou bate-bocas esquentados na imprensa, tal fato apenas corrobora a inexistência de equilíbrio na Suprema Corte, e, mais ainda, aumenta o desprestígio do Poder Judiciário em nossa sociedade.

          A Justiça no Brasil é demasiado lenta, ineficaz; avolumam-se os casos de corrupção envolvendo juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores; o CNJ, órgão de fiscalização e correição do Judiciário, é alvo de reiterados ataques dos representantes deste próprio Poder, como se tivessem algo a temer.

          E o próprio Supremo, que antes ostentava a imagem de guardião da Constituição, estância da Justiça imune a fraldes e corrupção, tem sido nos últimos tempos alvo de imprevisíveis escândalos.

          Nada obstante, pode-se afirmar que a crise que o Judiciário – e mais especificamente o STF – enfrenta é mais profunda: é uma crise de identidade. Malgrado suas competências jurisdicionais fixadas pela Constituição, o STF não é uma Corte Constitucional, nos moldes das que existem em outras países como Alemanha, haja vista exercer inúmeras competências estranhas ao controle de constitucionalidade concentrado.

          Em sua prática, o STF assemelha-se mais a um órgão especial cuja finalidade é julgar e beneficiar políticos e corruptos de alto escalão, pelo mecanismo do foro privilegiado.  As ações originários do Tribunal demoram anos para serem julgadas, ao passo que, se fossem iniciadas na justiça de 1º grau, seriam solucionadas mais brevemente.

          Para agravar, o Supremo tem sido chamado a dar solução a temas extremamente controversos, por inércia do Poder Legislativo, cujos integrantes, interessados exclusivamente em cabides eleitorais e interesses partidários, se esquivam de enfrentar questões que desgastariam a imagem dos congressistas.

          Assim, sobra à Suprema Corte dar a última palavra sobre assuntos que não são originariamente da sua alçada, enfrentando o furor da opinião pública e sendo taxado, frequentemente, de conservador, burocrático, ou corporativista.

          Se não bastasse, até mesmo perante os demais Poderes se verifica um enorme desprestígio do Judiciário. O governo simplesmente rejeitou os termos de sua proposta orçamentária para 2012, impedindo, ademais, a aprovação no Congresso de proposições legislativas de grande relevância para a atividade jurisdicional. Destarte, restou vetado o aumento do salário de juízes e servidores da Justiça Federal, pleiteado ao longo de 2011, bem como não evoluem projetos de leis encabeçados pelos órgãos de cúpula do Judiciário, como a PEC 544, parada há mais de uma década na Câmara de Deputados, que visa a criação – mais do que necessária – de mais 4 Tribunais Regionais Federais.

          Nesse ponto, o ministro César Peluso foi coerente ao afirmar recentemente que “O Poder Executivo no Brasil não é Republicano. É imperial”. A margem de poder do Executivo extrapola o razoável e desestabiliza o equilíbrio entre os poderes.

          Por tudo isso, o Poder Judiciário precisa, urgentemente, recuperar o seu espaço na democracia brasileira. Não pode mais se sujeitar à ingerência do Executivo e à inércia funesta do Legislativo. Para isso, deve peitar o governo e seu poder desmedido, invalidando, por exemplo, medidas provisórias inconstitucionais, decretos abusivos, assim como ampliando os efeitos do mandado de injunção ou da ADIN por omissão, a fim de garantir direitos previstos em normas da Constituição não regulamentadas pelo Legislativo.

          Em suma, para reverter o quadro de desprestígio popular e institucional, o Judiciário deve se valer das armas que possui, asseguradas constitucionalmente, mesmo que para isso tenha que ser mais político e audacioso perante os demais Poderes.

12 abril 2012

O Estado é laico, mas as pessoas não...


Embora pareça óbvia essa afirmação, decidi escrever sobre esse tema ao notar que há diversas opiniões - respeitosas, cumpre frisar - no sentido de que o discurso religioso pode ganhar ingerência indevida nas decisões do Estado, devendo, por isso mesmo, ser afastado deste em suas resoluções políticas, administrativas ou até jurisdicionais.

Cite-se, em particular, a celeuma em torno da legalização do aborto de fetos anencefálicos. Nada obstante a profundidade do tema, em seus aspectos científico, social e ético, observa-se que, no debate político, ganha relevo a opinião de quem defende a vida do bebê anencefálico, segundo a concepção de que, independentemente da atividade cerebral, há vida humana, há espírito a habitar o corpo, e por isso mesmo merece proteção estatal.

Essa abordagem recebe duras críticas daqueles que entendem que a análise social, científica e jurídica da questão deve ser dissociada de crenças religiosas. Entende-se, portanto, que a visão sobre o início da vida - e suas naturais consequências - deve partir de princípios puramente científicos, de forma a se construir um conceito razoável e justo sobre o tema.

Ao meu ver, porém, tal postura crítica procura transferir a laicidade do Estado às pessoas, esquecendo que, embora aquele não possa assumir uma religião oficial, as pessoas são - e a nossa Constituição o assegura - livres para expressar suas crenças, e isso envolve, inexoravelmente, o debate político em torno de temas de suma relevância para a sociedade. Em outras palavras, é inevitável - e até saudável - que na construção da democracia brasileira haja a participação daqueles que defendem medidas, ações ou omissões estatais, tendo como base pontos de vista construídos na visão religiosa própria, da mesma forma que é respeitável que haja ateus, agnósticos e pessoas de todas as religiões compondo o Congresso Nacional e atuando livremente segundo suas convicções.

Não fosse assim, e viveríamos uma nova ditadura do pensamento.

Para exemplificar, muito se critica a existência, em nossos parlamentos, das chamadas "bancadas religiosas", formadas, sobretudo, por protestantes e católicos. Ao meu ver, não há nada de prejudicial nisso, contanto que os particularismos religiosos não sobejem aos interesses nacionais.

O fato de o Estado ser laico não determina que a cabeça das pessoas por trás dele também o sejam. Exercer uma função estatal não requer isolamento intelectual, blindagem sobre as concepção de mundo individual, é dizer, não cria a obrigação de enxergar o mundo sem qualquer perspectiva religiosa, a fim de se praticar um ato estatal. Implica, ao revés, que, ao se realizar uma conduta administrativa, se tenha em consideração exclusivamente o interesse público, dissociado da crença religiosa (ou sua ausência) de seus destinatários, sem fazer qualquer distinção de credo.

Infelizmente, vê-se que o debate intelectual sobre temas complexos e controversos como o citado costuma enquadrar as opiniões de religiosos na fórmula binária e simplória do radicalismo ou da crendice, assim como, em contrapartida, o debate filosófico-religioso, frequentemente, generaliza opiniões adversas a um materialismo desfocado.

O pluralismo político sugere que se respeite e se considere, na formação da decisão democrática, cada opinião e seus fundamentos, a fim de se refletir com maior fidedignidade os interesses da sociedade.

Com relação à questão do aborto de fetos anencefálicos, muito embora a minha religiosidade e crença particular na existência da alma, não possuo ainda uma opinião definitiva. Acredito que a maioria das mães não tem o necessário preparo ou condição psicológica para conduzir a gravidez de uma criança nessas condições. Há que se considerar, efetivamente, a provável lesão subjetiva a essas tantas mulheres, caso se trate o aborto nesses casos como crime.

Lado outro, espantam-me opiniões particulares que tratam o feto anencéfalo como mero amontoado de células, sem enxergar ali uma vida humana, dando ensejo, indiretamente, à ampliação do aborto a situações indistintas, ou em que as possibilidades de sobrevida do feto são pequenas.

Não se pode descontruir em nossa sociedade o valor do amor maternal, nem a proteção jurídica do nascituro, a pretexto de se prestigiar a dignidade ou a liberdade da mulher. E a defesa disso não perpassa, necessariamente, um ponto de vista religioso fanático ou radical: há que ficar claro.

O preconceito tem a habilidade de simplificar o pensamento e as pessoas, dando respostas prontas e adversas, sem cuidar de analisar com propriedade as causas e razões individuais. Decerto, há que se resguardar e respeitar o pluralismo de idéias, opiniões e visões de mundo, mesmo as religiosas, a fim de se garantir uma sociedade na qual o livre debate político conduz, eficazmente, a escolhas que reflitam os anseios e necessidades das pessoas.

19 março 2012

Da dor ao amadurecer


Superar uma dor, um trauma, uma cicatriz na alma pode parecer às vezes uma atividade sobre-humana, algo que escapa de nossos parcos limites e forças. Talvez por que desconhecemos nossas próprias forças, ou ainda por que nos julgamos menores do que os problemas e conflitos.

Perdoar uma grande mágoa, esquecer o passado e ver o presente com a lente do otimismo e o foco sobre coisas boas, decerto, não é obra do acaso, nem esforço de apenas um dia. Sentimentos, em certas circunstancias, são como vendavais de impiedosa grandeza, cujo epicentro apenas perde força com a ação cautelosa do tempo.

O certo, porem, é que tudo depende da interpretação que fazemos dos fatos inevitáveis da vida.

O que ontem era uma dor pungente e infinita, hoje pode ser uma mera sombra que não causa espanto ou preocupação. O imponderável sentimento de fraqueza e indignação outrora experimentado, não passa, agora, de rasteira lembrança e experiência para a alma.

Pode haver um meio tão direto e certeiro de se crescer quanto o sofrimento?

Quem julga viver uma vida imune a reveses e contrariedades, certamente não enxerga o trágico espetáculo de dor que lhe circunda; ignora parcela da vida - ou de si mesmo - e se ilude em gozar de um falso êxtase, na percepção difusa de uma ébria realidade.

A felicidade só e valiosa porque na sua retaguarda vigoram períodos de dor. Não fosse assim, e o mérito, a conquista e a realização seriam monótonos e indiferentes como mera rotina.

Assim é a nossa realidade humana; essa é a condição para dotarmos a vida de um sentido profundo.

Aqueles que enxergam instantes de dor com a perspectiva futura da compreensão são capazes de manter a serenidade no instante mesmo da crise. Desenvolver essa capacidade é consequência espontânea do viver, pois somos, a todo instante, submetidos a provas de dor e luta, perdas e fragilidade.

O coração, como que por natureza, se acostuma a sofrer fortes impactos, ficando cada vez mais resistente ao castigo das emoções. Talvez por isso, as pessoas que aproveitam os ensejos de crescer com os reveses, gozam, na velhice, de venerável serenidade e maturidade, personificando a sabedoria e a austeridade.

No fim, tudo é uma questão de tempo: para superar, esquecer, ou amadurecer. Maior ou menor, mais ou menos intenso em cada segundo, vagaroso ou sorrateiro... só depende de nossa forma de encarar os turbilhões inevitáveis e passageiros que preenchem de sentido e experiência a existência.

13 março 2012

Com Mac É?


Hoje vou dedicar um post a um debate sobre computadores. Notebooks para ser mais específico. Não serei, portanto, tão profundo ou filosófico como nos outros posts. Peço desculpas por isso. Mas, quem estiver pensando em comprar, trocar ou jogar fora um notebook, pode acabar se interessando.

Foi o meu caso esta semana. Resolvi trocar o meu notebook da Apple (Macbook branco) por um note da Samsung. Segundo avaliou um amigo adorador de produtos da Apple, eu fiz um “downgrade”.
           
Talvez ele tenha razão. Os produtos da Apple se destacam pela aparência, design, funcionalidade. É apaixonante a área de trabalho do Macbook: bonita, organizada, intuitiva. O sistema operacional é rápido e desburocratizado. A bateria dura muito, o teclado é macio, o touchpad (mouse) é maravilhoso, e o aparelho é levíssimo para carregar. Não fica atualizando diariamente uma série de softwares que você não faz ideia para que servem, como no Windows. Raríssimas vezes o computador travou (nem precisa dizer que, nisso, ganha disparadamente dos notes tradicionais).
            
Enfim, dói um pouco desfazer de um produto dessa qualidade.

Quando o notebook da Samsung chegou, achei estranho. Primeiro me incomodou a demora de quase quarenta minutos para instalar o Windows que já veio pré-instalado (?) (quando recebi meu Mac, em cinco minutos depois de ligado já estava acessando a internet). Depois, estranhei o touchpad (mouse), que é duro, maciço e impreciso. Em seguida, a resolução da tela, que me pareceu menos brilhante e colorida.
          
Bom, não serei injusto: em tudo há um lado bom! O Windows é lento, bagunçado e monótono... mas funciona e tem vários programas que não rodam no Mac ainda.
            
Infelizmente, nunca primou pelo design e conforto do usuário.

Por que, então, eu, entusiasta como meu amigo de produtos Apple (e ranzinza com PC`s e Windows) resolvi passar o meu Mac para frente e adquirir um notebook comum?

 Há algumas respostas.

Em primeiro lugar, meu Macbook está desatualizado, comprei-o há dois anos. Embora não tenha necessidade de um note potente para as tarefas do dia-a-dia, como utilizo, às vezes, programas mais parrudos de edição de música, foto e vídeo, preciso de uma máquina mais possante – já que os programas estão ficando cada vez mais “gordos” e complexos.
           
Segundo: um Macbook Pro com a configuração do notebook Samsung que adquiri é mais do que o dobro do preço (pelo menos no Brasil). Assim, vai ficar para uma próxima comprar outro Mac.
            
Terceiro: não vou abandonar de vez a plataforma Mac, já que tenho um Ipad.
          
Por fim, mas não menos importante, este ano chegará ao mercado o Windows 8 que, segundo os mais otimistas, irá, pela primeira vez na história da Microsoft, inovar em alguma coisa. Os primeiros vídeos que surgiram na internet do Windows 8 rodando são empolgantes. Parece sistema operacional de gente grande.

E você, caro leitor, o que acha? Será que fiz um “downgrade”, rasguei dinheiro, ou fiz uma boa escolha, considerando as circunstâncias apontadas? 

Até o proximo...

05 março 2012

Quem pode resistir ao sorriso de uma criança?





            Por mais endurecido seja o coração, o sorriso espontâneo e puro de uma criança fura as mais bravias barreiras do íntimo e arranca um sorriso de qualquer um (ainda que forçado).
        Assim são as crianças: espontaneidade em grau de pureza. Em sua primariedade emocional, sobretudo as mais pequenas, se limitam a manifestar o que sentem de forma direta, seja pelo chorou ou pelo riso.
Não se comprazem no jogo da dependência ou da indiferença; não exigem para doar; estão imunes às ilusões. São, em essência, humanas, e manifestam, de forma cristalina, a personalidade e a individualidade que as caracterizam. Resumindo: são autênticas.
Por isso, o sorriso de uma criança às vezes incomoda, outras vezes emociona, ou ainda cala fundo o coração dos adultos. De fato, há nele um fundo de sinceridade tão irrepreensível, que não se pode desviar o olhar de uma criança sem se sentir velho demais, distante demais dessa primaz essência guardada em “algum lugar bem escondido”.

25 fevereiro 2012

Espiritualidade e Vida


Espiritualidade. Uma palavra que guarda vários significados... uma experiência que parte de inúmeros pontos de vista.
A nossa vida, repleta de rotinas, lutas diárias, desejos e sonhos, por vezes assemelha-se a um conjunto de aspectos e problemas reunidos, aos quais devemos dar atenção e solucionar com parcimônia. É como se estivéssimos fixados em uma taboa suspensa sobre um pico, e nós, os malabaristas, nos esforçássemos herculeamente parar sustentar um tênue equilíbrio.
Esse prisma empírico e objetivo da vida parte de uma observação superficial, distanciada. É um olhar de fora para as coisas que vivemos dentro.
O fato é que a vida é muito mais complexa, porque é experimentada no íntimo, de onde lançamos nosso olhar para tudo o que nos cerca.
Tudo possui um significado, tudo suscita em nós uma resposta emocional, e, ainda, as nossas emoções promovem atitudes e mudanças. Construímos o significado das coisas a partir de nosso universo próprio.
E o que isso tem a ver com espiritualidade? Tudo.
Espiritualidade é a relação que travamos com o nosso universo interior, que nos conecta a algo que nos é superior. É uma fonte única de significados, porque através dela expandimos a visão sobre as coisas e sobre nós mesmos.
Sem essa relação conosco e com o divino, a vida emoldura-se na superficialidade... tudo o que fazemos, buscamos e sentimos não vai além do que os sentidos físicos podem proporcionar.
O trabalho, a família, os amigos, as atividades prazerosas... todos esses contextos parecem ser apenas aspectos externos da vida, dos quais, agastadamente, precisamos dar conta.
E assim, trabalhamos para ter dinheiro, para poder ter conforto ou luxo e proporcioná-lo à família. As amizades se restrigem a momentos de euforia, ou se limitam a tampar o insistente buraco da solidão. O casamento é acordo social, prestação de contas à sociedade, ou ainda mero fruto de interesses. As atividades de nossa vida visam nos acrescentar status, fama ou inócuo deleite.
Com espiritualidade, muda-se o foco. A família é a nossa estrutura, a base de nossas relações e, ainda, o esteio que nos protege e nos fortalece. O trabalho é fonte de alegria, pois nos proporciona o prazer de sermos úteis ao outro, sendo, então, o dinheiro consequência natural de nosso esforço. Os amigos são irmãos que escolhemos para partilhar momentos bons e ruins, companheiros ao lado dos quais estamos não apenas nos instantes de fugaz felicidade, mas sobretudo na visita da dor. O casamento é união de vidas, fulcrada no amor e no desejo de fazer o outro feliz. E tudo o que fazemos possui um propósito de nos enriquecer os sentimentos, o intelecto, ou de contribuir para o bem do mundo ou das pessoas que nos cercam.
A espiritualidade é uma busca que empreendemos ao longo de toda a existência, é uma escolha fundamental, que perpassa o seguinte questionamento: nos limitaremos a encarar a vida como apenas o que parece ser, ou vislumbraremo-na além dessa restrita percepção, para ganhar horizontes intangíveis e profundos?

23 fevereiro 2012

Solução grega?


Recentemente vi a notícia de que foi aprovado um elogiado pacote de recuperação econômica para a Grécia. Os mercados reagiram bem e o Euro se valorizou. Mas, tamanho otimismo tem um duro preço.
O que mais se destaca desse pacote é o seu custo para a população grega. O salario mínimo deverá ser reduzido em mais de 20% e haverá inúmeras demissões no serviço público.
Essa situação me fez refletir um tanto; tentei me colocar no lugar dos gregos.
Imagine se a partir de hoje seu salario sofresse uma redução de 20%. As contas e compromissos para este mês decerto não reduzirão nem meio por cento.  É uma situação angustiante só de imaginar.
Há, ainda, os que perderão o emprego no funcionalismo público. São pessoas que, talvez, trabalham na iniciativa pública há anos ou décadas e que, por isso, terão mínimas chances de lograr sucesso na iniciativa privada.
Não obstante o otimismo dos mercados, parece-nos que a medida visará o equilíbrio da economia às custas do aumento da pobreza.
Exsurge, ainda, uma questão: é possível uma economia se recuperar sustentavelmente dessa forma?
Espera-se que o calcinante fardo sustentado pela população resulte em dias melhores para a nação grega, há dois anos assolada por uma crise econômica aguda.
Sacrifício ou novo martírio?
Veremos...

22 fevereiro 2012

Por que eu criei um blog?

Olá! Resolvi fazer um blog!
Por que resolvi fazer um, justo quando os blogs parecem estar em franco declínio, nesta fase das informações rápidas e curtas do twitter, ou quando metade do mundo possui um facebook?
Na realidade, ao contrário do que parece, os blogs estão crescendo novamente. Tenho visto alguns amigos e conhecidos criarem blogs sobre os temas mais diversos, com objetivos desde compartilhar os sofrimentos da luta pela aprovação em um concurso público até curiosidades do mundo da política e economia, passando pelas reflexões de uma mãe anônima que se desdobra no desafio de trabalhar e cuidar de seu filho de um ano.
Mas, obviamente, isso não é a razão para eu criar um blog. Eu diria que o fato de os blogs estarem “em alta” ultimamente é apenas uma motivação extra para escrever.
A razão verdadeira... não existe. Ou, se existe, eu ainda não identifiquei. Porém, como não acordei hoje determinado a criar um blog do nada, eu tenho alguns argumentos para isso.

1o argumento: Este não está sendo um ano comum.
Quando digo que este ano não está sendo um ano comum, não quer dizer que acredito que o mundo vai acabar em 2012; é bom deixar claro. Mas, inevitavelmente, há algo de diferente no ar... o mundo está mudando! Sempre esteve, mas desta vez essa mudança está mais palpável, eu diria.
Na minha cidade, Belo Horizonte, uma reação antipopular ao aumento vertiginoso do salario de vereadores foi capaz de mobilizar o veto e, pasmem, a manutenção do mesmo pelos próprios parlamentares. Cara, isso não é normal! (desculpem o coloquialismo) Isso é inédito por aqui. E o que há de mais inédito e surpreendente nesse episódio não é o final da história, com a derrubada do aumento imoral dos salários e o registro da fala debochada de alguns vereadores, tampouco a mobilização de mais de 3.000 pessoas no facebook, que pretendem a partir de agora fiscalizar de perto o que acontece na Câmara Municipal. O que me levou a crer que há algo de diferente acontecendo por aí a partir desse episódio é o simples fato de que “nunca antes na história desse país” a democracia participativa aconteceu.
É um fato singelo. Mas não é único.
O tempo está louco! No início desse ano choveu muito... não lembro de já ter visto tanta chuva na minha vida. Mais estranho do que esse dilúvio, aos meus olhos, foi o silêncio da mídia, tanto a intelectual quanto a social, em associar essas circunstâncias climáticas em todo o mundo a temas mais profundos e preocupantes, como aquecimento global, derretimento das calotas, explosões solares anormais, etc etc.
Tudo pareceu tão normal. Ou, melhor me expressando, tudo pareceu ocasional, como se São Pedro tivesse aumentado a vasão da torneira, ou neste ano excepcionalmente choveu-se mais e ponto.
No entanto, com os olhos vendados ou cerrados, é impossível não ver que este ano está sendo diferente por essa ou aqueloutra razão, e isso é um argumento digno de ser levado em conta para se criar um blog.
Não fosse o bastante, no final do ano passado fiquei extremamente curioso sobre a tese de alguns astrônomos independentes sobre a aproximação de um planeta ainda desconhecido, a orbitar pelo nosso sistema solar. O nome do famigerado planeta perdido (ou estrela anã, como querem alguns) é Nibirú, mas ele também pode ser identificado como Planeta X e outros codinomes assombrosos.
Acredita-se que Nibirú poderá trazer transformações profundas sobre a Terra, como o seu próprio fim. Mas, como já adiantei, não creio que este é o ano do fim dos tempos. Prefiro abraçar a opinião de um amigo segundo a qual a mera perspectiva de que algo irá acontecer este ano, segundo as previsões Maias, tem feito alguma diferença na vida das pessoas, tal como torná-las mais humanas, preocupadas com o Mundo e com as pessoas, ou, no mínimo, menos indiferentes aos rumos desse planeta (ou de sua cidade, família, dos animais).

Entretanto, isso é assunto para um post futuro. Por ora, se vocês querem continuar dormindo em paz, não procurem no Google informações sobre Nibirú (rsrs).

2o argumento: as ideias estão surgindo
Esse argumento é bem simples, portanto não tenho por que me demorar em explicações. Basta acrescentar que as ideias que estão “purupulando” na minha cabeça não estão encontrando espaço para se expressar em outros veículos, como conversa com amigos, posts no facebook, novas composições musicais. Cheguei então à conclusão de que as idéias precisam desembocar em algum lugar, e o canal ideal para lhes dar vazão é um blog.

3o argumento: algumas ideias estão me incomodando
Portanto, é preciso coloca-las urgentemente para fora. São temas que estão me cutucando muito, recentemente. Então, há uma premência maior de desabafa-las... já adianto que são assuntos profundos, polêmicos ou sem importância alguma.

4o argumento: um blog só é visitado por quem tem interesse
Ao contrário de outras redes sociais (como facebook ou twitter), as pessoas que visitarão meu blog serão aquelas que se interessarem realmente por seu conteúdo. Sei que nisso está o risco de ninguém visita-lo nunca, mas é um risco bom de se viver. Mesmo porque, se estiver horrível, devo admitir que é mesmo melhor que ninguém apareça ou retorne. Assim, a continuidade do blog está condicionada a ele mesmo, aos rumos que tomar, e não ao meu capricho de mantê-lo sem propósito algum.

Bom, esses são os argumentos que me convenceram hoje a criar um blog. Fique à vontade para visita-lo sempre, bem como para deixar comentários, críticas ou sugestões.

Quanto ao título do blog, quero registrar que não me surgiu um melhor. Então, podem avaliar francamente... pode ser mudado a qualquer tempo! Já o endereço do site vai ter que ser esse mesmo (rs).

Espero que, com o tempo, as razões para se criar este blog fiquem evidenciadas, pois uma razão arraigada no coração é sempre mais forte do que argumentos que convencem, apenas, uma frágil “razão”.

Até o próximo...